E a Veja falou de podcasts

E a Veja desta semana falou de podcasts.

Em uma matéria de quatro páginas, a revista fala sobre o formato, suas vantagens, o fenômeno Serial, e ainda fala com Leo Lopes, Alexandre Ottoni e Jurandir Filho.

Depois disso, muita gente veio me dizendo que a matéria estava atrasada, porque o entusiasmo da turma que produzia podcasts e era toda amiga acabou.

 

O que vem agora, aqui, é a opinião de Vinícius Schiavini. Ok? Ok.

 

Houve, sim, a época em que o pessoal fazia só por paixão, e muitos eram amigos. Legal. Mas a verdade é que muitos podcasts dessa época eram no mesmo formato do Nerdcast, e ficavam chateados por não chegar no mesmo objetivo. Lembro de dois pods que tinham basicamente as mesmas pessoas, só alternando âncora. Sim, isso murchou, e muitos desses acabaram. Fico chateado? Sim. Mas não deixa de ser um passo do processo de evolução natural.

 

O que existe hoje em dia é uma busca maior pelo diferencial. Enquanto ainda existem pessoas que querem sempre mais do mesmo (“Não era isso que você queria ouvir?”), alguns já sentiram que precisam achar seu viés, seu momento. O que faz o Radiofobia um podcast único? Não é só o Leo Lopes como âncora, não é só a forma como é produzido, não é só a série de temas abordados e pessoas entrevistadas… é tudo isso junto. Não vá atrás de fazer outro Radiofobia, mas pense no que você tem de único.

 

O Serial foi, sim, um fenômeno, e fez com que milhões (milhões!) de americanos passassem a consumir podcast. Eles vão ouvir aquele podcast de 4 horas com piadas internas? Claro que não! Um vai ouvir algo mais político, outro quer ouvir música pop… E acessibilidade torna-se um ponto.

 

Eu não vejo a matéria como atrasada. A Veja é a revista de maior circulação do país. Ela chega a mais pessoas que a imensa maioria de podcasts. E, então, ela dedica quatro páginas a podcasts. Isso quer dizer que, em uma reunião de pauta, o editor chegou à conclusão de que os leitores da Veja precisam descobrir o que é podcast. Sabe qual o passo seguinte? Fantástico. E aí a sua tia-avó vai ouvir falar de podcast.

 

Deixe de lado o pensamento “Veja mente” e pense na sua tia-avó. Se você quer ficar com um pensamento negativo, dizendo que a Veja perdeu o rabo do cometa, fique a vontade, mas eu vejo (rá!) o ponto de que mais pessoas estão conhecendo podcasts, mais pessoas potencialmente consumirão podcasts. É a possibilidade de um maior público a se atingir! Claro que há a responsabilidade de proporcionar conteúdo que também possa atingir esse público mas, se o que eu produzo não é o melhor pra tia-avó, que outro podcast, de culinária ou conversas de terceira idade, seja! O que impede?!

 

“A podosfera já foi”, dizem. Não foi. Está mudando, ao meu ver. Ainda existem amigos, e pessoas que se ajudam, e isso não deve se limitar a uma esfera, mas sim ser um modelo de relacionamento. Por que eu vou brigar com aquele YouTuber se eu posso chegar e conversar? Ser cordial é maneiro. A podosfera agora busca caminhos novos, busca profissionalizar-se, busca evoluir.

 

“Mas agora TODO MUNDO vai ver vlog”. Ok, e os milhões que citei nos EUA? Não contam? Coloco como um exemplo o B9, que lançou, nos últimos meses, vários podcasts maneiros, como Zing! e Mamilos.

 

Sim, a Veja falou de podcasts. Você vai ficar reclamando ou vai encarar de maneira positiva a nova Era que vem aí? 😉

One comment to E a Veja falou de podcasts

  • Wagner Brito  says:

    Ando tão por fora que A) Nem sabia que a Veja publicou algo sobre podcasts e B) Nem sabia que haviam reclamado disso.

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