Um Homem-Aranha de família

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Eu passei meses usando essa capa como papel de parede do celular. Por favor não estrague tudo DE NOVO, Marvel.

O roteirista Dan Slott apresentou Renew Your Vows, minissérie que substituirá o título principal do Homem-Aranha durante a saga Secret Wars, dizendo que “elementos desta história farão parte do novo status quo do Homem-Aranha”.

O que esperamos que seja: o retorno ao status quo que vigorava até a horrorosa Um Dia a Mais, mostrando Peter Parker casado e com uma filha.

O que não reclamaríamos se também fosse: Eddie Brock voltando a ser o Venom.

O que provavelmente vai ser: o antagonista principal da história (um tal de Regente, que na primeira edição mata todos os heróis dessa realidade MENOS o sobrinho da tia May) passa a fazer parte da continuidade principal, brindando-nos com mais um vilão genérico e exageradamente poderoso cujos poderes ninguém sabe explicar direito.

Em notícias apenas tangencialmente relacionadas, só eu adoro como J. Scott Campbell desenha a Mary Jane sempre sardenta? A anatomia é aquela coisa exagerada típica dos anos 90, mas esse detalhe já me faz sorrir.

 

The Walking Dead Season Two

ATENÇÃO: o artigo a seguir contém spoilers das duas temporadas de The Walking Dead. Mas eu vou tentar me conter.

The Walking Dead
Eu joguei quase tudo que a Telltale lançou desde a primeira temporada de Sam & Max, lá em 2007, e nesse período a empresa me ensinou três coisas: os adventures não morreram, só evoluíram; macacos marinhos não são muito criteriosos na escolha de seus sacerdotes; e não importa o quanto você tente ser legal, alguém sempre ficará fulo da vida com você.

The Walking Dead Season Two não tem macacos marinhos, mas confirma os demais princípios tão bem ou melhor do que a temporada anterior. Temos ainda menos quebra-cabeças, reforçando o foco em quick-time events e, ponto principal da série, escolha. E elas não são o maior destaque à toa; como eu disse lá no começo, nenhuma decisão é segura – mesmo as que parecem mais simples podem afetar relacionamentos ou decidir vida e morte de outros personagens. Nenhuma escolha parece boa o bastante; a todo momento, o jogador se vê fazendo malabarismos para escolher a menos pior entre opções igualmente agoniantes.

Ajuda nisso a ambientação, que não nos deixa esquecer que o mundo tomado pelos zumbis é um lugar cruel – menos pelos mortos-vivos em si e mais porque a luta pela sobrevivência leva as pessoas a negar ajuda a uma garotinha ferida. Agora protagonista, Clementine encontra mais de um novo grupo de sobreviventes ao longo dos cinco episódios, mas isso não atenua a sensação de solidão. Talvez porque em nenhum momento se estabeleça uma união de família – nem quando reencontramos um dos personagens mais queridos da primeira temporada.

E ainda que controlar Clementine mude completamente a dinâmica do jogo, fica bem claro que a Telltale quis manter alguns resquícios da mecânica original. Logo no início, você encontra uma personagem que parece criada com a função principal de ser protegida – e, quando ela encontra seu inevitável destino, aparece um bebê. Ambos constroem um ótimo contraste com a protagonista, que é tão madura que boa parte do grupo sequer a trata como criança.

(O que não torna menos estranho ver meia dúzia de adultos pedindo socorro a uma garotinha a cada percalço. Até o próprio jogo tira sarro disso, no momento mais autoconsciente em um videogame desde que Guybrush Threepwood nos aconselhou a nunca gastar mais de 20 mangos em um jogo de computador.)

Se novos prêmios de Jogo do Ano não vieram mesmo num 2014 de tantas frustrações gamísticas, a segunda temporada mantém-se como melhor produto do universo criado por Robert Kirkman. O último episódio se encerra com a decisão mais difícil da história da franquia, e a qualquer um dos cinco finais diferentes segue-se a dúvida: como raios será a já confirmada terceira temporada? Só sei que eu estarei lá para acompanhar.

PS: no início do jogo, Clementine é mordida por um cachorro, deixando o grupo que a encontra com medo de que ela se transforme num zumbi. O nome do bicho? Sam. Além de antecipar o momento mais tenso da temporada, a referência ainda me fez passar o jogo todo esperando aparecer um coelho chamado Max.

TWO AND A HALF MEN 12×15-16 – Of Course He’s Dead

ATENÇÃO: este texto contém spoilers do episódio final de Two and a Half Men.

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A má notícia para os fãs de Two and a Half Men é que Charlie Sheen não voltou para o último episódio da série, como era especulado basicamente desde a sua saída.

A boa notícia é que a série soube rir de si mesma em sua conclusão. Em quarenta minutos repletos de participações especiais – tanto de figuras de temporadas passadas (até Angus T. Jones dá as caras!) quanto nomões de Hollywood, como Arnold Schwarzenegger – fica bem claro que os próprios atores e roteiristas SABEM que nada ali faz sentido há muito tempo, se é que já fez em algum momento.

Quase todas as piadas do episódio tiram sarro de tramas ou situações das temporadas anteriores, como Jake ter ficado mais e mais burro com o passar dos anos ou a ciranda de relacionamentos amorosos entre os personagens principais. Serve também para confirmar aquela máxima de que personagens de sitcom ficam mais caricaturais com o passar dos anos: Alan foi de perdedor abusado por todos a espertalhão descarado. Deve ter sido a má influência de Charlie, que de bon vivant que ganha dinheiro sem esforço quase nenhum virou… bem… Charlie Sheen.

Charlie este que mesmo sem aparecer se faz presente na história como não acontecia há muito tempo. Várias piadas esculachando o ex-protagonista e citações a “sangue de tigre” e Anger Management, projeto ao qual Charlie Sheen se dedicou depois de deixar a série da CBS, reafirmam que Chuck Lorre (o criador da série) ainda não superou sua desavença com o ator. Isso para não falar da piada final, que envolve um dublê de corpo de Sheen, uma aparição do próprio Lorre e dois pianos caindo.

A trama do episódio é até bem pensada. Ao ser notificado sobre direitos autorais não-recolhidos em nome de Charlie totalizando US$ 2,5 milhões (two and a half, sacou? Hã? Hã?), Alan corre atrás do atestado de óbito do irmão para receber o dinheiro. Sem conseguir o documento mesmo depois de conversar com a mãe e Walden, o maior freeloader da TV se dá conta de que, tirando a palavra de Rose, não há evidência nenhuma de que Charlie esteja realmente morto. A chegada de um enigmático pacote pelo correio faz Alan suspeitar que seu irmão tenha sobrevivido… e esteja voltando para acertar as contas.

Ouso dizer que a despedida foi o melhor episódio desde que Charlie Sheen parou de conseguir ficar em pé, exceto pela animação que esclarece o destino de Charlie. Em uma vingança perfeita por uma vida de maus tratos para com o sexo feminino (ainda mais porque a moça o chama sempre pelo artigo desumanizante “it”) , o galã passou os últimos quatro anos preso num fosso no porão da casa de Rose. Solução criativa, claro, mas apresentada numa animação tão mal feita que ficou difícil reparar em qualquer outra coisa.

PS: em sua tradicional carta de encerramento, Lorre afirma que Sheen foi convidado a participar do episódio final, mas declinou ao saber da natureza da cena. Ainda que tenha sido noticiado que Sheen chegou a negociar seu retorno com a produção da série, não dá para acreditar 100% no que Lorre diz sobre o desafeto.

PS 2: eu teria voltado a ver a série muito antes se soubesse que Maggie Lawson (a Juliet de Psych) tinha entrado pro elenco. OK, não teria. Eu mal aguentei ver o piloto de Back in the Game. Maggie, você mora no meu coração mas tudo tem limite.

PS 3: Schwarzenegger não diz que vai voltar, mas em um dado momento Ashton Kutcher repete um dos bordões do brucutu austríaco. Essa piada um dia vai ficar velha, mas não foi hoje.

PS 4: ainda está caro pra caramba.

O bom Homem-Aranha à Marvel torna

Estoy a oír: Autoramas – Verdugo

aranha_vingadoresAntes de comentar a previsão que eu fiz laááá em julho, vamos esclarecer o ponto mais propenso a confusões: não, o Homem-Aranha não “voltou para a Marvel”.

Sem me estender nas explicações sobre acordos de licenciamento, o que aconteceu na prática é que a Sony emprestou (estilo jogador de futebol mesmo) o personagem da Marvel… para a própria Marvel. Eu sei, Hollywood pode ser bem confusa às vezes.

Independente das letras miúdas, enfim ver o maior herói da Casa das Ideias no universo da editora nas telonas anima até mesmo quem teme MAIS UM reboot. Ainda mais considerando os projetos que podem surgir dessa integração.

* Chega de origem!

Segundo Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, o estúdio deve se afastar dos filmes de origem em suas futuras produções. Essa declaração foi dada bem antes de qualquer anúncio oficial envolvendo o marido da Mary Jane, mas é um alívio para quem cansou da história de aranha-radioativa-poder-e-responsabilidade.

O caminho mais provável para a nova franquia do Homem-Aranha é o que já foi seguido com o Hulk: apresentar o protagonista já estabelecido como herói, recordando o evento que lhe deu poderes apenas através de flashbacks ou mesmo breves citações em diálogos.

(Muito embora eu não me importe de ver uma versão atualizada da abertura ilustrada por Alex Ross para Homem-Aranha 2.)

* Homem-Aranha & Demolidor

Tão diferentes na superfície, tão parecidos na essência, o aracnídeo e o Homem sem Medo sempre rendem ótimas histórias quando se reúnem. Tanto que suas respectivas galerias de vilões volta e meia se sobrepõem – o maior exemplo disso é o Rei do Crime, grande antagonista do Demolidor que fez sua estreia numa história do Homem-Aranha e até hoje causa dor de cabeça aos dois heróis. O que nos leva a…

* Homem-Aranha & Justiceiro

Só o fato da primeira aparição de Frank Castle (outra pedra no sapato do Rei do Crime) ter sido numa história do Aranha já justificaria uma reunião cinematográfica dos dois heróis. Somem-se a isso as personalidades e morais conflitantes dos dois heróis, a necessidade de estabelecer ambos no universo unificado após vários reinícios e trocas de elenco e podemos matar dois coelhos com uma caixa d’água só.

* Thunderbolts e Reinado Sombrio

Talvez fosse até previsível, mas o Duende Verde se provou bastante difícil de traduzir em live-action. Afinal, num filme live-action não dá pra fazer uma máscara se mexer com as expressões faciais de quem a está usando.

Mas não tem problema, porque este hipotético filme usaria Norman Osborn num papel que o vilão tem assumido constantemente desde sua ressurreição nos anos 90: o de manipulador de eventos em sua identidade civil.

Thunderbolts mostraria Osborn comandando uma equipe de supervilões a serviço do governo americano – contraponto aos Vingadores, mostrados em A Era de Ultron como agentes autônomos.

A médio prazo, eventos como os de Guerra Civil levariam a uma inversão moral do universo Marvel, com os heróis caindo em desgraça perante a opinião pública – levando à fase do Reinado Sombrio, em que Norman Osborn assumiu o cargo de Nick Fury como líder das defesas da Terra.

* Homem-Aranha nos Vingadores

A possibilidade mais óbvia, porém, é aproveitar a incrível popularidade do Cabeça de Teia e colocá-lo entre os Vingadores – como muitos fãs e especialistas imaginam que deva acontecer.

Claro que nem todos concordam sobre isso. Um artigo recente do Judão diz que o Homem-Aranha não funcionaria nos Vingadores do cinema por ser essencialmente um solitário. Eu já acho que colocá-lo no grupo ficaria legal exatamente por isso.

Já ouviu a frase “roteiro que se escreve sozinho”? Pois é o que temos aqui: Peter se une aos maiores heróis da Terra, questiona se merece estar ali, passa o filme inteiro fazendo piadas para disfarçar seu desconforto… e, como na primeira batalha contra Thanos nos quadrinhos, no final é ele quem salva a pátria. Sério, esse filme nem existe e eu já estou empolgado para vê-lo.

* Novos Vingadores

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O que mais atrapalha franquias longas no cinema é o passar do tempo: Robert Downey Jr. não vai ser o Homem de Ferro para sempre. Em algum momento, a Marvel terá que, se não reiniciar suas franquias, pelo menos trocar os intérpretes dos personagens apresentados na Fase Um.

Um jeito de reduzir o choque da troca é dar um descanso para esse grupo de heróis, apresentando uma nova formação de Vingadores na Fase Quatro. Brian Bendis já fez mais ou menos isso nos quadrinhos com os Novos Vingadores, povoando a equipe com heróis que não costumavam ser associados a ela – entre os quais, vejam só, o Homem-Aranha.

Embora a popularidade do recém-chegado leve a crer que ele vai tomar o lugar do Homem de Ferro como protagonista extraoficial do universo cinemático, fica a dúvida de até que ponto vale a pena para a Marvel apostar todas as suas fichas numa coprodução.

* Miles Morales, Ultimate Spider-Man

Outra possibilidade bastante ventilada é a de que a Marvel ignore Peter Parker e concentre seus esforços em Miles Morales, o novo Homem-Aranha do universo Ultimate. A popularidade adquirida por Miles mantém viva uma linha que já superou a própria utilidade, e muita gente especula que as vindouras Guerras Secretas terão como função de incorporar o personagem à linha principal da Marvel.

Tudo isso colocado, e deixando bem claro que eu entendo quem prega que é hora de mudar um pouco as coisas… eu daria mais uma chance a Peter Parker. Até mesmo Dan Slott, o atual roteirista das HQs do aracnídeo, concorda que seria uma pena seria uma pena não vermos Peter Parker contracenando com os heróis já estabelecidos.

Por que então não agradar a ambos os fã-clubes e fazer um filme protagonizado por Peter, mas já apresentando Miles? Imaginem quão divertida seria a inevitável interação entre os dois Aranhas. E aproveitando que estamos falando nisso, quando os quadrinhos vão resolver a ponta solta do Miles do universo 616?

* Fox, se prepare que eu vou lhe usar?

Detesto encerrar com as más notícias, mas achar que a Marvel vai conseguir recuperar os direitos de todos os seus personagens a curto prazo é bastante improvável.

Isto porque, se a relação com a Sony era até amistosa mesmo antes do recente acordo, a Fox (que detém os direitos do universo mutante e do Quarteto Fantástico) é aquela ex-namorada que você não pode convidar para a mesma festa. Nos últimos meses, o site Bleeding Cool publicou diversas notas informando que a Marvel cancelou o título mensal do Quarteto e proibiu o uso de personagens da equipe em produtos licenciados para não divulgar os respectivos filmes. Claro que nada é confirmado oficialmente, mas…

E digamos que as coisas não melhoraram depois que, mais ou menos ao mesmo tempo, os dois estúdios resolveram usar o Mercúrio – que, por estar associado tanto aos X-Men quanto aos Vingadores, pode aparecer nas duas franquias cinematográficas. Como eu disse no começo, Hollywood pode ser bem confusa às vezes.

Quem mais perde com a divisão é o Quarteto Fantástico. Após dois filmes fracos e um terceiro que não dá sinais de que será melhor, a Primeira Família virou um mero dano colateral, uma marca que a Fox não sabe usar mas da qual não abre mão.

Santos: o que fica de 2014?

Estoy a oír: Meghan Trainor – All About That Bass

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Seria o ano perfeito para a torcida do Santos dizer “pelo menos ganhamos o Paulista”.

A campanha na Copa do Brasil começou claudicante, embalou mas acabou parando em dois bons jogos contra o melhor time da temporada. No Campeonato Brasileiro, o excesso de pontos bestas perdidos fez com que o time estacionasse desde cedo no meio da tabela.

Se não fez grande figura em nenhuma das competições nacionais, o Santos também não correu risco de rebaixamento em momento nenhum, configurando uma temporada que tinha tudo para ser esquecível pela sua mera mediocridade.

Numa época em que estaduais viraram prêmio de consolação, o desempenho irregular do segundo semestre faria deste o ano perfeito para a torcida dizer “pelo menos ganhamos o Paulista”. Mas não ganhamos.

Não ganhamos nem o estadual porque o time caiu de rendimento justamente quando não podia. Levou uma improvável virada da Penapolense na semifinal, passando sufoco para conseguir recuperar a vantagem, e se arrastou em campo nas duas partidas decisivas. Claro que o regulamento estapafúrdio também atrapalhou, já que mesmo tendo a melhor campanha o Santos não teve vantagem absolutamente nenhuma para a final. Se jogasse por dois resultados iguais, teria garantido o título.

O argumento mais comum é que a desnecessária contratação de Leandro Damião e a necessidade de ter que jogar em função dele fizeram desandar um time que havia encaixado muito rápido. De fato, ao longo do ano o Santos nunca mais jogou tão bem quanto na primeira fase do Campeonato Paulista. Mas há outros fatores a considerar, da falta de peças de reposição para a maioria das posições à instabilidade financeira causada pela incompetência do presidente.

O cenário para o futuro passa por uma eleição presidencial confusa, com fortes suspeitas de fraude e adiamento forçado do pleito. Sem saber muito bem o que esperar do futuro presidente Modesto Roma Jr., fica uma única certeza para a nação santista: há pouco a ser lembrado de 2014.

Mas tudo bem. Pelo menos ganhamos de cinco do Curintia.

Monty Python Live (Mostly)

Estoy a oír: Monty Python – I Like Chinese

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Quem diria que os melhores momentos da reunião do Monty Python seriam justamente os autoconscientes.

Não que três horas assistindo a cinco das pessoas mais engraçadas que já viveram não valha quanto dinheiro pedirem, ou que esquetes como o pinguim explosivo e a loja de queijos possam algum dia perder a graça. Mas Monty Python Live (mostly) funciona menos pelos lendários textos e mais porque, ainda perplexos pelo mundo querer vê-los fazendo as mesmas piadas de 45 anos atrás, os Pythons tiram sarro de si mesmos e do próprio status de lendas.

A zoação do grupo para consigo mesmo não poupa nem o falecido Graham Chapman, como indica o nada sutil slogan “um já foi, faltam cinco”, e é direta a ponto de Eddie Izzard justificar sua breve ponta com uma polpuda colaboração para o “fundo de aposentadoria do Monty Python”.

Mas vamos começar do início. Os comediantes entram no palco numa oportunidade para fotos tão óbvia que é sinalizada nos telões, e começamos o show com John Cleese vindo ”a muito custo” trazer informação interessante sobre… a lhama!

Como grandes sucessos de uma banda de longa carreira, os esquetes clássicos se sucedem, e mesmo que sabe cada palavra de cada texto se escangalha de rir. Michelangelo e o Papa. A teoria da dra. Annie Elk sobre brontossauros, que é dela e que pertence a ela. A Inquisição Espanhola, ainda inesperada após todos estes anos. A Agência de Discussões. Uma versão modernizada de Penis Song, que agora cita também os genitais femininos e as nádegas.

Mas, como seria de se esperar dos quebradores de protocolo supremos, as maiores risadas vêm nos momentos que fogem do roteiro. Vestidos como magistrados de cinta-liga, Terry Jones e Eric Idle tiram sarro dos dispendiosos divórcios de John Cleese. Por sua vez, Cleese sinaliza para o céu ao dizer que seu papagaio morto “foi encontrar o Dr. Chapman” – e quase esquece o texto após a torrente de aplausos que se segue.

Esquetes que não poderiam ser encenados no teatro, como a luta de peixes e as olimpíadas para idiotas, são apresentados no telão, dando tempo para trocas de roupa e montagens de cenários. Afinal, como o próprio telão nos lembra, é muito caro e complicado fazer um espetáculo como este.

Grande parte desse investimento e complicação vem dos elaborados números musicais, que se sucedem até que,  após uma contagem de ”dois minutos para o bis espontâneo”, o show termina ao som de Always Look on the Bright Side of Life. E cinco das pessoas mais engraçadas que já viveram deixam o palco, ainda longe de terem nos feito rir pela última vez.

PS: segundo a Wikipédia, que o gol que decidiu o futebol dos filósofos foi irregular. O STJD diz que cabe recurso.

PS2: não importa o quanto o Bleeding Cool tenha reclamado, ver uma orquestra tocando Sit on My Face com toda pompa e circunstância é SEMPRE engraçado.

Teoria maluca da vez sobre o Homem-Aranha e a Marvel Studios

​Estoy a oír: Ramones – Theme from Spider-Man

EDIT: ainda não foi desta vez que minha teoria se confirmou. Mas sigamos acreditando. Já decidi que vou fazer minha parte não indo ver O Espetacular Homem-Aranha 3 no cinema.

EDIT DO EDIT: demorou, mas vai rolar! Agora é esperar até 2017!

homem-aranhaOs anúncios foram tão sincronizados que dá para dizer até que foram combinados (até porque, se eu estiver certo, foram mesmo).

Tudo começou no início desta semana pré-Comic Con, quando a Marvel anunciou cinco datas para estreias entre 2017 e 2019. Embora nenhum título tenha sido anunciado para estas datas, apostar que os dois primeiros serão Thor 3 e Dr. Estranho parece um jeito fácil de ganhar uns trocados.

Enquanto isso, a Sony reduziu o passo de seus planos para a franquia do Homem-Aranha. Antes prevista para alternar anualmente entre novas aventuras do Amigão da Vizinhança e spin-offs estrelados por seus vilões e/ou coadjuvantes, agora a série terá seu próximo capítulo apenas em 2016, com o Sexteto Sinistro. O terceiro filme do Aranha foi adiado para uma data indefinida de 2018, a equipe de roteiristas que escreveria o filme foi desfeita e o quarto filme da série foi “desconfirmado” pelo estúdio.

Horas depois deste anúncio, a Marvel anunciou a reserva de mais uma data de estreia… 4 de maio de 2018, justamente o dia em que a Sony planejava lançar O Espetacular Homem-Aranha 4. E, como eu disse no parágrafo anterior, o estúdio havia confirmado um novo filme do herói aracnídeo para 2018.

Imagino que você esteja acompanhando minha linha de pensamento, mas vamos a evidências um pouco menos palpáveis. Embora seja certamente um dos super-heróis mais populares do mundo, o Homem-Aranha não tem conseguido grandes números de bilheteria pós-reboot. Os dois filmes dirigidos por Mark Webb só se pagaram graças à bilheteria internacional e obtiveram respostas mornas dos críticos (inclusive deste que vos escreve).

Num momento em que a Sony passa por apuros financeiros, revender os direitos do personagem para a Marvel – ou mesmo, como tem sido mais cogitado, dividir a produção dos próximos filmes, ligando Peter Parker ao Universo Cinemático da Casa das Ideias – seria uma forma de conseguir uma muitíssimo bem-vinda injeção de capital.

Não bastasse isso, personalidades como o cineasta Max Landis e o rabiscador Rob Liefeld já deram declarações levando a crer que um acordo entre Sony e Marvel estava sendo costurado. Claro que nem Landis nem Liefeld são fontes oficiais, mas é no mínimo curioso ver decidem nada em nenhuma das empresas, mas vê-los abordando o mesmo assunto ao mesmo tempo é no mínimo curioso.

Será um sinal de que a Marvel enfim conseguiu reaver (ainda que parcialmente) os direitos de cinema sobre seu personagem mais popular? Tudo indica que saberemos amanhã, no Hall H de San Diego…