Valente (Brave, EUA, 2012)

Os filmes da Pixar são daqueles eventos anuais que todo fã de cinema, independentemente da idade, espera com carinho. A mistura de animação digital de cair o queixo com alguns dos mais inovadores roteiros e mais carismáticos personagens criados por Hollywood é tão divertida e inspiradora que a gente até perdoa quando o estúdio faz um filme “pra pagar as contas” (como é o caso da série Carros).

O lançamento da vez é Valente, conto de fadas passado na Escócia medieval. Merida (dublada por Kelly MacDonald na versão original) é uma princesa impetuosa e determinada, característica que seus volumosos cabelos vermelhos só destacam. Exímia arqueira e apaixonada por aventuras como o pai, o rei Fergus (Billy Connoly), ela não aceita o futuro de “escolher um pretendente e sossegar” para o qual sua mãe, a rainha Elinor (voz de Emma Thompson), lhe prepara.

Seguindo uma antiga tradição, Merida deve escolher seu futuro esposo dentre os herdeiros de três clãs aliados. Durante o evento no qual deveria fazer sua escolha, porém, ela resolve não jogar pelas regras da tradição e acaba irritando não só as lideranças dos clãs como sua mãe. Na tentativa de fazer com que sua mãe a entenda, Merida pede ajuda a uma bruxa – e nisso desencadeia uma série de eventos que colocam em risco sua família e seu reino.

Conforme todos suspeitavam desde os primeiros teasers e anúncios, Valente é o filme com mais cara de Disney que a Pixar já fez – uma respeitosa e emocionante homenagem da companhia-filha à mãe. Mostra também como a interpretação de contos de fadas evoluiu nos últimos anos, em grande parte por culpa de Shrek: ao contrário do clichê de esperar ser resgatada, Merida é determinada e impertinente. Até como consequência disso, passa a história lutando para corrigir um problema causado pelos seus próprios erros.

Se a história não é tão inovadora quanto a tradição da Pixar, as outras marcas do estúdio estão aqui: a animação é primorosa (com destaque para o citado cabelo de Merida, que praticamente sintetiza a personalidade da heroína), as amplas florestas escocesas foram reconstruídas de forma embasbacante e até mesmo personagens que passam poucos minutos na tela têm carisma e deixam sua marca.

O divertidamente carregado sotaque dos personagens faz com que ver legendado seja a melhor opção, mas este é outro caso em que a conversão para 3D, ainda que bem feita, não justifica o gasto extra. E ainda tem codireção e uma divertida ponta de Steve Purcell, o criador de Sam & Max.

A Mentira (Easy A, 2010)

Olive Penderghast (Emma Stone) é uma espivetada adolescente muito mais inteligente e gentil do que a média da sua idade. Talvez por isso, ela é praticamente invisível em sua escola, até que de repente adquire uma incômoda fama de periguete – e, essa é a pior parte, sem ter feito nada pra isso. Bem, a menos que inventar uma mentira sobre ter perdido a virgindade conte.

Tudo porque a tal história chega aos ouvidos de Marianne Bryant (Amanda Bynes), a líder dos alunos religiosos conservadores, e logo se espalha por todo o colégio em velocidade assustadora. A história fica mais cabeluda conforme se espalha, fazendo com que Olive ganhe a má fama citada no começo – o que só piora quando ela topa fingir que dormiu com um amigo gay, tudo para parar o bullying contra o rapaz.

Percebendo que as pessoas estão mais interessadas em julgá-la do que em saber o que realmente aconteceu, Olive resolve enfrentar o problema abraçando-o. Assim, a outrora discreta garota passa a usar roupas provocantes e aceitar pagamento de colegas para dizer que fez sexo com eles – ajudando-os, assim, a ganhar popularidade. Afinal, como dizia aquele episódio de Everybody Hates Chris, às vezes o melhor jeito de conseguir uma garota é conseguindo uma garota.

Entretanto, é claro que isso não passa em brancas nuvens. A decisão de Olive de proteger a coordenadora da escola e um mal-entendido com um colega que a toma por prostituta fazem com que ela veja a verdadeira dimensão do que está acontecendo à sua volta. E, ao tentar desfazer as mentiras, ela descobre que nenhum dos garotos que ajudou está interessado em revelar a verdade. O que fazer?

Mesmo para quem está cansado do gênero “intriga colegial”, esta versão modernizada de A Letra Escarlate tem sua larga cota de atrativos. O roteiro consegue ser ácido e suave conforme a necessidade de cada cena, além de estar cheio de muitíssimo bem-vindas referências oitentistas. O título nacional, apesar do ar de novela mexicana que involuntariamente confere ao filme, serve como bom resumo da história.

(Eu pretendia gastar um parágrafo dizendo o quanto o elenco, que inclui Malcolm McDowell, Stanley Tucci e Lisa Kudrow, é ótimo, mas considerando que são atores que tendem a estar ótimos em qualquer papel vou me abster desta em particular.)

Finalizando, depois de assistirem me respondam: como não se apaixonar por Emma Stone?

Os Muppets (The Muppets, 2011)

É hora de tocar a música, é hora de acender as luzes…

Walter é um Muppet, e também o maior fã dos Muppets em todo o mundo. Assim sendo, ele não consegue conter a euforia quando seu irmão humano Gary (Jason Segel, que também coassina o roteiro) o leva juntamente com sua namorada Mary (Amy Adams) para conhecer os estúdios onde o Muppet Show era gravado. Chegando lá, porém, eles encontram o lugar em ruínas…e Walter descobre que um cruel executivo (Chris Cooper) planeja demolir o lugar para escavar petróleo.

Para salvar o lendário Muppet Theater, a única saída é conseguir US$ 10 milhões para renovar o contrato de concessão. E como juntar essa bolada? Indo atrás de Caco (que a partir deste filme passou a não ser traduzido do original Kermit) e juntando a turma para um show, é claro!

Só que reunir a antiga turma será o primeiro desafio. Fozzie se apresenta numa boca-de-porco em Reno (juntamente com um grupo cover dos Muppets que inclui Dave Grohl), Animal se internou numa clínica para controle da raiva, Gonzo é um respeitado e ocupadíssimo magnata do ramo de privadas, Miss Piggy mudou-se para Paris e é editora da Vogue…e assim temos um breve segmento de road movie enquanto todos os queridos personagens se reúnem, antes de partir para a preparação do show propriamente dito.

E é aí que começa a maior dificuldade. As pessoas não parecem mais se importar com os queridos fantoches, anacronismo que dita o rumo da segunda parte do filme. Enquanto mostra os protagonistas tentando convencer uma emissora a exibir seu show e conseguir uma celebridade para apresentá-los, o filme lida com a pergunta que todos nos fizemos desde o anúncio da produção: afinal, os Muppets ainda têm lugar no mundo “sombrio e violento” de hoje?

Felizmente, logo fica claro que sim: o roteiro é ingênuo sem ser simplório, sem medo de tirar sarro das convenções dos filmes infantis-barra-musicais – e ainda assim consegue mostrar tudo o que se espera de um filme dos Muppets. E ainda inova, como quando coloca o oscarizado Chris Cooper para cantar rap. Em resumo, um filme ideal para levar as crianças – correndo risco de você se divertir mais que elas…

PS: mantendo a tradição dos filmes dos Muppets, temos participações especiais a rodo – de Alan Arkin a Zach Galifianakis, passando por Whoopi Goldberg e Ken Jeong, além de várias caras conhecidas dos principais seriados em exibição nos EUA.

Ponte Para Terabítia (Bridge to Terabithia, 2007)

 

Ponte Para Terabítia foi uma grata surpresa.

Na última década, com o sucesso de Harry Potter, várias produtoras tentaram lançar franquias de livros em filmes, e nisso tivemos Percy Jackson, Eragon e assim vai. Ponte para Terabítia saiu nessa onda, e eu achei que era a história de um órfão que pode fazer magias/controlar água/controlar dragões.

Me enganei.

O filme, baseado no livro de Katherine Paterson, não se trata de uma terra mágica, mas sim da fonte de toda a magia do mundo: a imaginação infantil.

Jess (Josh Hutcherson) é um menino com problemas pra se enturmar, e acaba conhecendo Leslie (AnnaSophia Robb), que acabou de se mudar com os pais. Os dois se tornam melhores amigos e começam a imaginar, na floresta perto de suas casas, uma terra mágica chamada Terabítia.

Para dar o contraponto, Robert Patrick é o pai de Jess que é bruto, mas não por ser malvado, mas sim por problemas financeiros. Aliado à valentona da escola que acaba fazendo amizade com Leslie, vemos que algumas histórias não precisam ter vilões.

Um filme simples, e até diria comedido, mas bastante envolvente. Você começa a imaginar junto com as crianças – e só assim o filme funciona. Se você ficar racional o filme todo, perde a graça. E a lógica.

Sem Reservas (No Reservations, 2007)

Kate é uma chef de um restaurante francês que é super metódica, chata (os funcionários não são fãs dela) e que evita relacionamentos achando que eles atrapalharão sua carreira.

É nisso que a irmã dela morre, lhe deixando a tarefa de criar Zoe, sua sobrinha. Enquanto tenta se ajustar, o restaurante contrata Nick, um chef descontraído que bate de frente em estilo com Kate. Claro que aí ele a ajudará a fazer a menina se desenvolver e também surge, claro, um romance.

Fui surpreendido com esse filme.

Claro que Zeta-Jones é incrivelmente eficiente como Kate, e Eckhart surpreende como o desprendido Nick, mas fato é que eu esperava algo muito mais bobod o que o apresentado. Não existe aquela sequência de eventos felizes que dura meia hora. O filme é um drama romântico, não uma comédia romântica. O drama pega forte quando a irmã de Kate morre e ela fica com a sobrinha. A dor de Kate é praticamente palpável.

E Abigail Breslin, que faz a pequena Zoe, mostra que está no mesmo nível que os adultos, ainda mais que ela tinha o terrível papel de uma menina que precisava superar mas ter saudades da mãe. Pesado.

Táxi (Taxi, 2004)

Táxi é ruim. Vamos resumir assim.

Remake de um filme do genial Luc Besson, o original é extremamente melhor, e devo dizer que a culpa está apenas no roteiro e no elenco. Só Jennifer Esposito se salva.

A história: Andy é um policial fracassado e passa a confiar na taxista Belle, que possui um sistema de turbo no seu táxi, para enfrentar uma gangue de assaltantes de banco lideradas por Vanessa.

O filme é cheio de apostas e nenhuma vingou muito. Jimmy Fallon, que faz o policial, apostou sua carreira no cinema e, convenhamos, pudemos ver que ele sempre foi meio limitado perto de alguns colegas de Saturday Night Live, como Adam Sandler. Queen Latifah sabe ser uma boa comediante, mas quando tem alguém bom acompanhando, como Steve Martin (Um Dia a Casa Cai), tudo melhora. Mas, com Fallon tão fraco, ela não salva o dia.

Gisele Bündchen começou sua carreira de atriz aqui e, basicamente, ficou nisso. Fez uma participação em O Diabo Veste Prada mas, como Cindy Crawford, percebeu que não é seu lance ser atriz. Não comprometeu, devo dizer. E a cena dela apalpando Esposito para “revistá-la” é sensacional.

Taxi original teve 3 continuações. Este não. Graças a Deus.

O Quarto do Pânico (The Panic Room, 2002)

O Quarto do Pânico é um clássico do Século XXI. Ponto.

Se David Fincher queria mostrar o que era um bom filme de suspense, conseguiu.

Meg (Jodie Foster, que mostra que sabe escolher BEM seus papeis) está se divorciando e se mudando com a filha Sarah (uma bem jovem Kristen Stewart). Elas acham a casa ideal: em Manhattan, com 4 andares, elevador e até uma sala do pânico: sala isolada por concreto e aço com linha telefônica própria, sistema de segurança e tudo mais.

O problema é que no primeiro dia a casa é invadida por três bandidos que querem algo que está justamente na sala do pânico. Junior (Jared Leto) foi burro o suficiente para levar Raoul (Dwight Yoakam), um homem que mal conhece, mas Burnham (Forest Whitaker) projetou o quarto reforçado.

A partir daí, tudo se torna um jogo de xadrez entre Meg e Sarah e os bandidos. Elas, do lado de dentro, revidando os ataques ou até mesmo planejando novas formas de pedir ajuda. Eles, tentando entrar. O problema vai aumentando gradativamente, chegando a trocar os papeis, até que Meg decide parar de se defender, e passa a atacar.

Toda a fotografia com poucas cores, reforçando a palidez das mocinhas, e a construção do cenário a favor da narrativa, viajando pelos cômodos, torna tudo mais tenso. Filme obrigatório. E uma trilha sonora impecável, antes que eu me esqueça.

Freddy vs. Jason (2003)

Freddy Krueger e Jason Voorhees são dois ícones do cinema mundial, sem dúvidas. Suas franquias, A Hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13, foram bem longas pela popularidade destes dois personagens. A Hora do Pesadelo teve 7 filmes, e Sexta-Feira 13 teve 10. Então decidiram tocar um projeto existente desde os anos 80: juntar os dois.

Fato é que fazia 9 anos desde a última aparição de Freddy. Jason teve Jason X um ano antes, mas se passa no futuro. No ritmo que estávamos acostumados, se foram 10 anos. E considere que o primeiro Sexta-Feira 13 não é com Jason matando…

O filme é uma jogada para revitalizar os dois, e Ronny Yu teve a tarefa de cuidar para que os dois pudessem trabalhar juntos e depois se enfrentarem. O plano? Freddy foi esquecido pelos moradores da Rua Elm e, por isso, ficou fraco. Ele leva Jason para a rua para que todos tenham medo dele, e assim Krueger consegue voltar aos pesadelos da galera.

Com isso, quem sofre é uma turma de adolescentes, que nem sabiam da existência de Freddy e Jason, a não ser dois rapazes internados que fogem do hospício e um policial (que devia ser o único com internet). De resto, é aquilo: Mortes elaboradas e divertidas, mulheres com os seios de fora e muito, muito sangue.

Fazendo jus a Freddy Krueger e Jason Voorhees.

Pena que depois os remakes de suas franquias não se saíram bem…

 

No Limite da Escuridão (Edge of Darkness, 2010)

Outro dia fui agraciado com este filme, que eu nem sabia que existia.

Edge of Darkness é adaptação de um seriado britânico de mesmo nome. Martin Campbell, o diretor, dirigiu episódios da série.

Mel Gibson é Tom Craven, um detetive que vê sua filha sendo assassinada na sua frente, em uma cena bem forte. A filha trabalhava para uma empresa de segurança e descobriu uma conspiração ligada à venda de armas para a Al Qaeda e pro Governo dos Estados Unidos.

Então, ele começa a investigar a empresa e todos os envolvidos, mas claro que a empresa corre atrás. Em uma das cenas, a amiga de sua filha está saindo do carro quando um carro passa, arrancando até uma porta do carro de Craven. O inimigo ainda volta para terminar o serviço, mas Craven atira até o motorista morrer, e o carro cair no rio.

Eu gosto de filmes de ação com protagonistas mais velhos, e Gibson já havia provado saber fazer filmes assim com, por exemplo, Patriota e O Troco. Já com muitos fios grisalhos na cabeça, dá um tom de experiência que o torna mais verossímil.

Entretanto, os vilões ficaram um tanto quanto caricatos ao meu ver. Espera mais de atores como Ray Winstone.

A fotografia, em tons de azul e muito mais escura que o costumeiro, dá o tom de tensão que o filme precisa. Impecável.

O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006)

O Diabo Veste Prada nunca me cansa. Já vi inúmeras vezes e nunca me cansa.

Lauren Weisberger trabalhou como assistente de Anna Wintour, a editora-chefe da Vogue americana por duas décadas e autoridade suprema em moda, ditando o que é tendência. Além de autoritária, ela pisa nas assistentes. Com isso, Weisberger lançou seu livro, que virou filme.

No filme, ela vira Andrea Sachs, interpretada por Anne Hathaway, que vai trabalhar para Miranda Priestly, interpretadacom maestria por Meryl Streep, que pode ser legal, mas tem talento pra interpretar uma FDP.

Claro que Meryl Streep domina todo filme que faz, mas Anne Hathaway não se deixa apagar. As duas tem uma competição saudável, deixando atores ótimos como Emily Blunt e Stanley Tucci em segundo plano. Simon Baker nem conta. E Gisele Bündchen, então?

A história parece passar rapidamente, afinal o ritmo ditado foi ótimo pra mostrar que Andrea perdeu sua vida própria para fazer inúmeras coisas para Miranda, que só no final tem um lampejo de humanidade. É um filme para se divertir toda vez com Hathaway correndo com café, manuscritos, flores e celular ao mesmo tempo.